sexta-feira, julho 26, 2013

eles moram na perdição



a máquina afiou a noite inteira
cansei da espera e adormeci

sonhei que discotecava na sala
ela chegou e me beijou na testa

esperávamos alguém...
mas, o sonho... o cheiro de queimado...

acordei, sobre o travesseiro
havia chumaços de cabelo

saí da cama
decidi não tomar os remédios

à noite, chorei (a primeira vez em anos)
e ela chegou triste como sempre

mas, ao reparar em meu rosto
sorriu

sexta-feira, junho 21, 2013

Fá – Flor – Forte


De frágil apenas à aparência
Pois,
Forte é essa flor chamada
Fá. (de Fabiana)
De alma grande
E bom coração
Não se rendem suas
Pétalas
À tempestade.
É forte,
Se ergue.
Fá,
Flor,
Forte.


 Poemeto dedicado a minha irmã, Fabiana.
Pelo seu aniversário hoje.
Pela sua existência em minha vida.
Pelo seu amor dedicado a mim.
Amo-te, maninha!
de lucas repetto.

sexta-feira, junho 07, 2013

Só então, as trevas.



É preciso lembrar-se, meu amigo, que a vida é curta e que nada no mundo tem existência tão real, tão verdadeira como uma obra de arte. A crítica desaparece, as filosofias mudam, as gerações humanas se extinguem; mas quando o mundo, um dia, se incendiar como um farrapo de papel, então as obras de arte serão as últimas testemunhas vivas que entrarão na casa de Deus. Só então, as trevas. 

Ano 1801


quarta-feira, maio 29, 2013

A Ilha de Cipango



Estou sozinho! A estrada se desdobra
Como uma imensa e rutilante cobra
De epiderme finíssima de areia...
E por essa finíssima epiderme
Eis-me passeando como um grande verme
Que, ao sol, em plena podridão, passeia!

A agonia do sol vai ter começo!
Caio de joelhos, trêmulo... Ofereço
Preces a Deus de amor e de respeito
E o Ocaso que nas águas se retrata
Nitidamente reproduz, exata,
A saudade interior que há no meu peito...

Tenho alucinações de toda a sorte...
Impressionando sem cessar com a Morte
E sentindo o que um lázaro não sente,
Em negras nuanças lúgubres e aziagas
Vejo terribilíssimas adagas,
Atravessando os ares bruscamente.

Os olhos volvo para o céu divino
E observo-me pigmeu e pequenino
Através de minúsculos espelhos.
Assim, que diante duma cordilheira,
Pára, entre assombros, pela vez primeira,
Sente vontade de cair de joelhos!

Soa o rumor fatídico dos ventos,
Anunciando desmoronamentos
De mil lajedos sobre mil lajedos...
E ao longe soa trágicos fracassos
De heróis, partindo e fraturando os braços
Nas pontas escarpadas dos rochedos!

Mas de repente, num enleio doce,
Qual se num sonho arrebatado fosse,
Na ilha encantada de Cipango tombo,
Da qual, no meio, em luz perpétua, brilha
A árvore da perpétua maravilha
A cuja sombra descansou Colombo!

Foi nessa ilha encantada de Cipango,
Verde, afetando a forma de um losango,
Rica, ostentando amplo floral risonho,
Que Toscanelli viu seu sonho extinto
E como sucedeu a Afonso Quinto
Foi sobre essa ilha que extinguiu meu sonho!

Lembro-me bem. Nesse maldito dia
O gênio singular da Fantasia
Convidou-me a sorrir para um passeio...
Iríamos a um país de eternas pazes
Onde em cada deserto há mil oásis
E em cada rocha um cristalino veio.

Gozei numa hora séculos de afagos,
Banhei-me na água de risonhos lagos,
E finalmente me cobri de flores...
Mas veio o vento que a Desgraça espalha
E cobriu-me com o pano da mortalha,
Que estou cosendo para os meus amores!

Desde então para cá fiquei sombrio!
Um penetrante e corrosivo frio
Anestesiou-me a sensibilidade
E a grandes golpes arrancou as raízes
Que prendiam meus dias infelizes
A um sonho antigo de felicidade!

Invoco os Deuses salvadores do erro.
A tarde morre. Passa o seu enterro!...
A Luz descreve ziguezagues tortos
Enviando à terra os derradeiros beijos.
Pela estrada feral dois realejos
Estão chorando meus amores mortos!

E a treva ocupa toda a estrada longa...
O Firmamento é uma caverna oblonga
Em cujo fundo a Via-láctea existe.
E como agora a lua cheia brilha!
Ilha maldita vinte vezes a ilha
Que para todo o sempre me fez triste!

Pau d’Arco – 1904.

segunda-feira, maio 27, 2013

10 Minutos (Dimmi perohé)

Por que você não atende as minhas ligações?
Sei que você tem lá suas razões
Olho milhões de vezes sua foto
Me pergunto em que ponto perdemos o foco
Por que você não atende, se vê que sou eu?
Será que é teu jeito de dizer adeus?
Rodo mil estórias na minha cabeça
Daqui a 10 minutos talvez eu enlouqueça
Fora!
Seu silêncio me devora
Algo diz pra eu ir embora
Não entendo os seus sinais
Mas fica com você
A desculpa para inventar
Quando resolver ligar
Posso não te querer mais
Olho pra pessoa em que você me transformou
E depois não quis mais, abandonou
Vejo que a vida me prestou esse favor
Me fez sempre pronta pra viver um novo amor
Um novo amor